O que insiste em se repetir nos relacionamentos
Os padrões emocionais repetitivos costumam se apresentar de formas diferentes, mas carregam a mesma dor. Talvez o que mais te incomode hoje não seja exatamente o que aconteceu,
mas o reconhecimento silencioso de que isso não é novo, de que esse desconforto já tem endereço conhecido dentro de você.
As cenas mudam, as pessoas mudam, os contextos até parecem diferentes,
mas o peso emocional é o mesmo,
a sensação no corpo é parecida,
e o final costuma seguir um roteiro previsível, ainda que você insista em se convencer de que, dessa vez, seria diferente.
E então chamamos de azar.
De dedo podre.
De destino.
De coincidência.
Qualquer nome serve, desde que nos poupe do trabalho mais difícil, que é admitir que a repetição raramente é aleatória.
Ela costuma ser um pedido de consciência que foi ignorado tempo demais.
Enquanto não olhamos, repetimos.
Enquanto não elaboramos, insistimos.
Enquanto não assumimos nossa parte, continuamos nos colocando em lugares que já conhecemos bem, ainda que depois digamos que não era isso que queríamos.
A repetição não nasce da falta de inteligência, nem da falta de terapia, nem da falta de leitura.
Ela nasce da recusa em sustentar verdades incômodas sobre nós mesmos.
Sobre os limites que não colocamos.
Sobre as escolhas que terceirizamos.
Sobre o conforto estranho de permanecer no conhecido, mesmo quando ele machuca.
Repetir não é fraqueza.
Mas permanecer repetindo depois de perceber começa a ser uma escolha.
E talvez seja exatamente aí que mora o ponto mais sensível, reconhecer que nem tudo o que se repete é imposto de fora, que muitas vezes é mantido por dentro, por medo de romper, de frustrar, de perder, de sustentar as consequências de mudar.
Talvez hoje não seja o dia de virar a mesa, de encerrar ciclos, de tomar grandes decisões.
Mas pode ser o dia de parar de fingir que não percebe.
De parar de se enganar com narrativas que aliviam no curto prazo, mas cobram caro no longo.
Perceber não resolve tudo.
Mas inaugura algo que antes não existia.
E, a partir disso, repetir nunca mais é exatamente igual.










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